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EdiTO
EdiTOrial

 

 

Viajar o mundo, ter bons patrocínios, conhecer diferentes culturas, aparecer em vídeos, ficar famoso, e fazer o que gosta: andar de skate. Se tornar um skatista profissional. Sonho de muitos moleques. Mas como se tornar um skatista profissional? Como ter sucesso como skatista amador?

 

As respostas podem ser encontradas na pesquisa destaque desta edição. Um artigo resultado da dissertação de mestrado de Billy Graeff Bastos. Este artigo nos permite entender um pouco mais como funciona o universo do skate, principalmente a trajetória para se ter sucesso como skatista amador. Informações úteis!

 

Além dos artigos, esta edição traz fotos, vídeos, notícias e uma entrevista com o historiador doutorando Leonardo Brandão, falando sobre sua dissertação de mestrado “Corpos deslizantes, corpos desviantes: a prática do skate e suas representações no espaço urbano”. Boa leitura!

 

Révisson Silva

 

 

 ÍndIcE

editorial   6

       6

Novas pesquisas   8

   8

NOTÍCIAS  10

      10

ANEXO 12

 12

pesquisa destaque  30

     30

VÍDEOS 32

32

resumos 38

      38

TROCANDO IDeIA 44

 44


 
CIÊNCIA DO SKAT
E  E-ZINE #5

 Editor: Révisson Silva
 Editor de fotografia: Daniel de Souza
 
Arte: Faira Beck
 Administração: Fábio Prass
 Redação: Marcelo Amaral e Irineu Juneca
 Fotografia: Rodrigo K-b-ça, João Brinhosa,
 Daniel de Souza e Raphael Kumbrevicius.
 Agradecimentos: Billy Bastos, Leonardo Brandão,
 Rita Nardelli, Paulo Peters, Tony Honorato e
 Renato Andrade.
 Na capa: Jair Neto. Fronside Tailslide. Espanha/EUR,
 2010. Foto Rodrigo K-b-ça.


Os artigos publicados não refletem
necessariamente a opinião dessa revista,
e sim de seus autores.

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NoVaS p
as últimas Referências de livros, artigos
 
 
 
 
EsQuIsAs
 e trabalhos cadastrados

 

 

 

 

   

BASTOS, Billy Graeff; STIGGER, Marco Paulo. O segredo do sucesso: apontamentos sobre a trajetória social de skatistas profissionais. Revista Movimento Porto Alegre, v. 15, n. 03, p. 163-186, julho/setembro de 2009.  Resumo e download disponível na pág. 38. Cód. 0293

 

BRANDÃO, Leonardo. Corpos deslizantes, corpos desviantes: a prática do skate e suas representações no espaço urbano (1972-1989). 2007. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Resumo e download disponível na pág. 39. Cód. 0181

 

NARDELLI, Rita Rairis; da SILVA, Roberta Toroni & PAULÃO, Rosana de Fátima Paulão. Pré-adolescentes nos esportes radicais: análise das variáveis emocionais associadas à prática do surf e do skate. Caderno de Resumos, Santo André, v.1, n.1, 81 p., dez. 2002. Apenas resumo disponível na pág. 40. Cód. 0294


 

 

ANDRADE, Renato Moreira de. O skate e o comportamento da juventude. 2008. Livro-reportagem formato e-book. Trabalho de Conclusão de curso (Graduação em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo) F.A.A.T - Faculdades Atibaia. Orientador: Giuliano Tosin. Apenas o resumo disponível na pág. 41. Cód. 0295

 

 

PETERS, Paulo Moura. Mar de asfalto: A pista de skate da Ermida Dom Bosco. Trabalho da disciplina Dissertação do curso de Ciências Sociais Universidade de Brasília - UNB. Brasília 2009. Orientadora: Profª. Drª. Cristina Patriota de Moura. Resumo e download disponível na pág. 42. Cód. 0296

 

HONORATO, Tony. Identidade assinada no "pé". Encontro da Alesde “Esporte na América Latina: atualidade e perspectivas” UFPR - Curitiba - Paraná - Brasil - 2008.  Resumo e download disponível na pág. 43. Cód. 0297

 

BRANDÃO, Leonardo. Metralhadoras contra skates. Revista de história da biblioteca nacional, nº 54, março de 2010. Resumo e download não disponível. Cód. 0298

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NoTíCiAs  as principais notícias de março
Distribuidor autorizado Atlântico Sul Com. Imp. ltda - atlanticosulsk8@uol.com.br
 

Teste para Árbitros no Brasil. A CBSK está organizando pela quinta vez um Teste de Aptidão para Árbitros, que será realizado nos dias 17 e 18 de abril no município de Campo Limpo Paulista (SP).

 

Oi Vert Jam. Rolou nos dias 6 e 7 de março no Rio de Janeiro o Oi Vert Jam, etapa valendo pontos para Circuito Mundial de Skate (WCS). Os resultados foram 1º Marcelo Bastos (BRA), 2º Adam Taylor (EUA) e 3º Sandro Dias (BRA).

 

Florida Bowl Riders. O Florida Bowl Riders teve duas etapas para WCS, e a terceira foi cancelada.  As etapas rolaram em  Jacksonville, nos dias 20 e 21 de março, no Secret Backyard Bowl e em  Kona Kidney Pool. Os primeiros colocados nas duas etapas foram o mesmos: 1º Pedro Barros (BRA), 2º Tim Johnson (EUA) e 3º Mike Barnes (EUA).

 

A Arte do Skate Brasileiro em L.A. No dia 27 de março se iniciou a exposição RE:board na Exhibit “A” Gallery, em Los Angeles. A exposição conta com 60 shapes dos anos 80's e 90's. Alexandre Sesper e Fábio Bitão são os idealizadores.

 

Novo Recorde no Slalom. No dia 27 de março o jovem espanhol Dany Navarro, de apenas 16 anos de idade, quebrou o recorde mundial junior de cyber slalom para 50 cones,  atingindo a incrível marca de 11,242 segundos.

 

Best Trick Universitário. Rolou no dia 27 de março, na pista do Parque da Juventude (SP), um best trick para os 20 melhores colocados no Circuito Universitário de Skate 2009. Os resultados foram: Diego Fiorese e Vitor Martins empatados em 1º, e Marcos Camazano em 3º.

 

Novo Núcleo da Escola de Skate. A Escola de Skate Ciência do Skate leva para dentro dos colégios aulas de skate, na qual os alunos aprendem e se divertem durante todo ano. O novo núcleo é no La Salle de Esteio (RS).

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AnEX  Gustavo dos Anjos. Nollie Heelflip Noseslide. Campinas/SP, 2010. Foto Daniel de Souza

 

AnEXO        Alexandre Zikk Zira. Backside Bluntslide. Vale do Anhangabaú/SP, 2010. Foto João Brinhosa

 

 

            AnEXO

              Ricardo Dexter. Backside Wallride. Moca/SP, 2010. Foto Raphael Kumbrevicius

 

 

AnEXO      Guliete Pulga. Halfcab Fronside Noseslide Shovit Out. Blumenau/SC, 2009. Foto Daniel de Souza

 

AnEXO       Wesley Gelol. Nollie Over Crooked. Espanha/EUR, 2010. Foto Rodrigo K-b-ça

 

 

   AnEXO         Rafael Russo. Melon Grab to Fakie. Porto Alegre/RS, 2009. Foto Daniel de Souza

 

 

]

   AnEXO                 Carlos Ribeiro. Switch Frontside Flip Grind 270 Out. Novo Hamburgo/RS, 2010. Foto Daniel de Souza

 

 

AnEXO                      Erison Trakinas. Backside Flip. Espanha/EUR. Foto Rodrigo K-b-ça
 

 

 AnEXO      Douglas Molocope. Fakie Pivot 360 Flip. Porto Alegre/RS, 2009. Foto Daniel de Souza.

 

 

 

 

O SEGREDO

Apontamentos sobre
de skatistas

 PeSqUiSa.

 

 

 

DO SUCESSO

a trajetória social
profissionais

 DeStAqUe por Révisson Silva

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, pelo Grupo de Estudos Socioculturais em Educação Física (GESEF), teve como objetivo localizar peculiaridades do universo do skate, localizando também as condições de produção da “trajetória” dos skatistas que obtiveram sucesso na carreira profissional.

 

Para fazer este estudo o Prof. Ms. Billy Graeff Bastos e o Prof. Dr. Marco Paulo Stigger, utilizaram  técnicas de pesquisa como a entrevista semi-estruturada, a observação participante e a coleta de documentos. Esta pesquisa foi publicada na revista Movimento, e faz parte da dissertação de mestrado do Prof. Billy, intitulada Estilo de vida e trajetórias sociais de skatistas: da 'vizinhança' ao 'corre'.

 

A pesquisa verificou que no início da aproximação com os patrocínios, quase que invariavelmente passa pelo sucesso em competições, mas a entrada no universo do skate patrocinado não depende unicamente das competições nem das manobras, aparecendo aí vídeos e revistas.

 

Viu-se, também, que a entrada no universo do skate patrocinado não implica uma mudança radical na vida dos skatistas, porém, que a permanência exige profundas transformações nas rotinas de vida. Esta permanência é construída em uma série de circunstâncias, renúncias por um lado, acessos por outro. Também mostra-se necessário à permanência no universo   o   domínio   dos conhecimentos  referentes a viagens   ao   exterior, a gestão da própria imagem, do que depende o interesse  de

patrocinadores, e o encaminhamento das atribuições individuais em vistas de “fazer o corre”; o conhecimento e o efetivo sucesso nas relações com empresários; a relação com as pessoas da mídia especializada; e um alto grau de envolvimento, a integralidade.

 

"Os skatistas fazem 'sucesso' de maneira muito diferente de outras pessoas que vivem no universo dos esportes..." Este foi o motivo que levou os autores a escreverem este artigo, pensando em explicar ao público em geral e ao acadêmico como isso acontece.

 

Segundo o Prof. Billy, essa peculiaridade é uma descoberta importante porque alarga o conhecimento existente sobre o universo das práticas corporais. "Pesquisar o skate é dar oportunidade para que o conheçam e então o respeitem. O skate é uma prática pouco conhecida quando se considera aspectos internos, é relativamente fechado entre seus praticantes".

 

Por fim, a pesquisa conclui que os processos de escolarização, vivência familiar, os costumes “naturalizados” ao longo da vida provêm o sujeito de condições melhores ou piores para a conquista de espaço no universo dos patrocínios e sua manutenção, somando-se a capacidade de desenvolvimento e a capacidade de realização das manobras.

 

O resumo e o download completo desta pesquisa está disponível na página 38  desta edição.

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VíDeOs

 

Tampa Pro 2010

 

 

 

 

Skate de alto nível em um dos campeonatos mais clássicos. No vídeo acima, imagens da final do TAMPA PRO 2010. Os resultados foram 1º Paul Rodriguez ($20,000); 2º Nyjah Huston ($15,000) e 3º Keegan Sauder ($10,000).

 

 

 

VíDeOs

 

Fair Cape Challenge 2010

 

 

 

Acompanhe a descida do skatista Matt Arderne disputando a vitória com Anton Pratt, Glen Phillips e Richard Dwezana na final do Fair Cape Challenge 2010, que rolou nos dias 27 e 28 de março perto de Durbanville na África do Sul.

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VíDeOs

 

VÍDEO DE SKATE EM 3D

 

 

 

 

A marca Krooked, do skatista Mark Gonzales, está produzindo o primeiro vídeo de skate 3D. Para ver os efeitos é preciso os óculos 3D ou usar uma folha de plástico transparente azul no olho direito e uma vermelha no esquerdo.

 

 

 

VíDeOs

 

JAMES KELLY

 

 

 

 

Vídeo com o skatista James Kelly descendo a ladeira e fazendo slides em alta velocidade, com edição de Louis Pilloni e música de Artic Monkeys.

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VíDeOs

 

SUPER CÂMERA LENTA

 

 

   

 

O programa Time Warp feito para o Discovery Channel mostra em detalhes manobras de street em super câmera lenta, realizadas por Greg Lutzka. Vale pena conferir!

 

 

 

VíDeOs

 

Nike SB
Belco Bowl

 

 

 

 

Um vídeo do evento Nike SB Belco Bowl Jam 2010, que rolou na Austrália no dia 27 de fevereiro. Os skatistas que se destacaram foram Nathan “Jimmy” Beck, Lance Mountain, Joelholio Webb, Andrew Currie, Kiernan Ironfield e Arrgh Jay Barbaro.

 

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ReSuMoS
O segredo do sucesso: apontamentos sobre a trajetória social de skatistas profissionais
por Billy Graeff Bastos
 
Resumo: Este artigo aponta, a partir de casos concretos, para elementos acerca da trajetória social de skatistas que lograram estar no subuniverso dos patrocínios. Em se tratando de skate, isso significa praticamente a única possibilidade de profissionalização. São considerados detalhes da constituição e do funcionamento do campo do skate em sua totalidade e da vida dos informantes, de seu caminho para incorporar disposições e capitais válidos no contexto do skate. Os dados utilizados são provenientes de técnicas de pesquisa como a entrevista semi-estruturada, a observação participante e a coleta de documentos.
 
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 Corpos deslizantes, corpos desviantes: a prática do skate e suas representações no espaço urbano
por Leonardo Brandão
 
Resumo: Esta dissertação teve por objetivo discutir a prática do skate de rua (streetskate) através de suas representações no espaço urbano. Partindo da análise de um vídeo documentário norte americano, intitulado Dogtown and Z-Boys: Onde Tudo Começou, desenvolveu-se uma série de questões pertinentes à corporeidade, à apropriação dos espaços urbanos e aos processos de identificação juvenis. Trata-se de uma pesquisa sobre a história do tempo presente, que atina para um período de transformações compreendido entre as décadas de70 e 80 do século passado, caracterizado aqui como o da pós-modernidade. Após analisar o início do desenvolvimento do skate nos Estados Unidos, partiu-se para uma discussão dessa prática em território nacional, utilizando-se para tanto uma série de revistas, cartas, depoimentos e fotografias de skate. A associação entre esta atividade e a contracultura, assim como o movimento do punk-rock e as artimanhas da indústria cultural, mostraram-se profícuas para melhor qualificar essas representações e apropriações do espaço urbano.
 
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Pré-adolescentes nos esportes radicais: análise das variáveis emocionais associadas à prática do surf e do skate.

por Rita Rairis Nardelli
 
Resumo: O presente estudo tem o intuito de verificar o estado emocional de pré-adolescentes entre 12 e 14 anos de idade, que praticam esportes radicais, especificamente o surf e o skate. Inicialmente é apresentado um histórico dos esportes radicais, por meio de uma revisão bibliográfica que aborda as classificações e os diversos esportes, incluindo locais e níveis de esforço físico da prática. Enfatiza-se o conceito de emoção, nos seus aspectos gerais e no esporte para se contextualizar as relações comportamentais na faixa etária pesquisada. Descreve-se também os principais aspectos do desenvolvimento social e emocional destes pré-adolescentes, os quais apresentam variações diretas sobre os fatores comportamentais cotidianos. É feita, diante desses aspectos, uma associação das variáveis emocionais: medo, alegria, raiva, satisfação, tristeza, ansiedade, amor, prazer, agressividade e felicidade, com situações que integram o seu cotidiano esportivo. Realiza-se uma pesquisa de campo, com o uso de um questionário aplicado aos pré-adolescentes, praticantes de surf e skate sem discriminação de sexo, no litoral norte, na Riviera de São Lourenço e na pista Velha em São Bernardo do Campo. Os resultados apontam que os pré-adolescentes têm grande variação nos fatores emocionais positivos, bem como indicam resultados inferiores nos fatores emocionais negativos. Existem também congruências entre as emoções apontadas como mais freqüentes entre os participantes. Este trabalho objetiva contribuir para uma caracterização emocional dos esportes radicais, em especial do surf e do skate.
 

 

 

O skate e o comportamento da juventude

por Renato Moreira de ANDRADE
 
Resumo: O livro descreve o que é skate analisando enquanto objeto de estudo, depois a sua história e desenvolvimento através dos tempos. Aborda também a contracultura e suas influências na moda, costumes, gestos e até na linguagem urbana. Além disso, descreve as publicações especializadas no skate, o desenvolvimento do mercado editorial e como as empresas têm entrado no mercado do skate. O livro apresenta entrevistas com skatistas e suas opiniões sobre o que eles pensam a respeito do meio em que vivem. O skate influencia moda, música entre outros setores da sociedade, e esta obra busca mostrar muitas destas influências.

 

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Mar de asfalto: A pista de skate da Ermida Dom Bosco

por Paulo Moura PETERS
 
Resumo: A Ermida Dom Bosco é mais um parque ecológico criado pelo Governo do Distrito Federal e faz parte de uma área de proteção ambiental. É o local onde foi construído o primeiro monumento da nova capital, em homenagem a Dom Bosco. Simboliza, através da visão profética de Brasília, os ideais e valores que seus construtores desejavam dar para a cidade. Por suas características geográficas, o parque atrai pessoas interessadas em diferentes usos do espaço. Grupos de pessoas que constituem redes de relações sociais em momentos de interações voltadas para o lazer. Com efeito, nesse parque foram construídas pistas de asfalto para o acesso de automóveis à área próxima ao Lago Paranoá. Esse fato permitiu que um grupo se apropriasse desse território na cidade através da prática do skate. Na paisagem do lugar se destacam os praticantes do skate longboard downhill. Dentro de uma perspectiva etnográfica, tratam-se de grupos que possuem traços de determinados estilos de vida urbana. Tais estilos de vida possuem elementos associados a tal atividade. O projeto inicial do parque foi re-significado através de novos usos da estrutura física do lugar.  Nesse sentido, as dinâmicas de obtenção de disposições práticas ligadas ao skate resultam na construção de grupos, redes de relações e ambientes de sociabilidade. O skate no parque é uma atividade que no cotidiano dos freqüentadores faz parte dos diferentes significados capazes de unir a cidade às pessoas. Os skatistas são pessoas que, diante das condições disponíveis em suas realidades e dos equipamentos urbanos da sua cidade, escolheram se engajar em uma atividade lúdico-esportiva que permite a interação de pessoas ligadas por um mesmo universo prático e simbólico. O skate na Ermida está próximo do mar, pois, para os seus adeptos é o “surfe no asfalto”.
 

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Identidade assinada no "pé".

por Tony HONORATO
 
Resumo: Como o consumo cultural se apresenta como um aspecto fundamental para a compreensão das identidades contemporâneas — particularmente da tribo skatista? A proposição consistiu em observar que o consumo cultural mapeado no processo da tribo skatista no Brasil aponta, por meio das representações sociais de grupo, as identidades sendo construídas em uma sociedade onde os indivíduos se tornam produtores e consumidores de bens materiais e simbólicos que lhes atribuíram uma posição no interior de um campo social. Foi eleita como fonte a Revista Tribo Skate. Foi possível interpretar a configuração de um ethos skatista ligado numa teia global tecida também pelas logomarcas.

 

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        TrOcAn

Leonardo

 

 

Do iDeIa por Révisson Silva

brandão


 Conheça o

 historiador
 e
professor

 acadêmico
 que
está criando
 uma tese de
 doutorado

 sobre o skate

  


 

 

Brandão, você é um grande pesquisador do skate. Como é o seu dia a dia? Sou Professor Universitário desde o final de 2004, mas em função de minha aprovação no curso de Doutorado da PUC/SP e por ter recebido a bolsa integral de estudos, encontro-me afastado das salas de aula e tenho me concentrado, quase que exclusivamente, a minha tese de Doutorado. A orientadora é a Prof. Dr. Denise Bernuzzi de Sant’Anna, uma das maiores especialistas em questões relativas à história das práticas corporais. Assim, meu dia a dia vem sendo marcado por longas jornadas de estudos, leituras bibliográficas e análises de fontes pertinentes à prática do skate. No momento estou tentando finalizar o primeiro capítulo do doutorado. O tema geral é sobre a criação do skate como um novo registro esportivo e sua simbolização como uma cultura juvenil. O prazo para a finalização da tese é fevereiro de 2013, mas estou me esforçando para terminá-la em 2012.

Qual é o seu envolvimento com o skate e a sua cultura? Lembra do Haroldo Carabetti? Que na década de 90 foi um dos grandes profissionais de skate no Brasil e depois foi seguir carreira nos Estados Unidos? Pois é, minha ligação com o skate deve-se muito a sua influência. Em 1994 morava em Catanduva (cidade do interior de São Paulo) e estudava o Ensino Médio na mesma escola que ele. Terminando o Ensino Médio, nós prestamos vestibular em São Paulo e dividimos, durante um tempo, um apartamento próximo a Avenida Paulista. Mas o Haroldo fez uns contatos com o Willy Santos, skatista norte-americano, e foi morar nos Estados Unidos. Na época eu fazia faculdade de Comunicação Social e estava descontente com o curso, além disso, queria ter a experiência em morar na praia. No final de 1999 consegui ir para Florianópolis fazer faculdade de História. Gostei muito do curso. Como recebia bolsa de monitoria, não precisava trabalhar e por isso tive condições de continuar andando de skate com uma certa facilidade. Em Floripa andei bastante em mini rampa, principalmente na Praia Mole, onde tinha uma rampa incrível de frente para o mar. Atualmente moro numa cidade chamada Paranaíba, que embora distante dos grandes centros de skate do país, tem bons lugares para se praticar. Ando com menos freqüência do que andava antigamente, mas fiz alguns bons amigos na cidade que andam de skate e por isso continuar nesta prática tem sido algo agradável para mim.

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Qual a sua formação e como foi realizar suas principais pesquisas sobre skate? Conte um pouco sobre estes desafios. Fiz a Licenciatura Plena e Bacharelado em História, na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), o Mestrado na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e, como disse antes, curso o Doutorado na PUC/SP. Sobre a questão dos desafios na pesquisa, devo dizer que o maior deles foi a de fixar o tema do skate como algo legítimo e pertinente dentro da historiografia e, fundamentalmente, demonstrar que não estava realizando uma história meramente descritiva do passado do skate, mas sim utilizando este objeto como um instrumento de leitura social, cultural e política.

Fale um pouco sobre seu mestrado “Corpos deslizantes, corpos desviantes: a prática do skate e suas representações no espaço urbano”. Meu Mestrado foi uma extensão aprofundada, das questões colocadas em minha monografia de conclusão de curso. Na época, estava interessado em compreender o surgimento do street skate, especialmente a forma como os skatistas passaram a ler o espaço urbano e a relação entre o advento dessa prática com o desenvolvimento das pistas de street. Assim, embora as pistas de skate representem espaços de lazer e sejam algo reivindicado por skatistas através de abaixo-assinados e demais manifestações junto ao poder público, do ponto-de-vista histórico, elas também se associam ao aparecimento de espaços de normatização social, ou seja, lugares construídos pelo poder público com a intenção velada de inibir práticas vistas como transgressivas e possibilitar, através de uma disciplina que produz efeitos positivos, a construção de tais práticas como esporte.

O que você mais gostou de fazer durante esta pesquisa? A prática da pesquisa em si é algo muito prazeroso. Ter uma questão em mente e tentar solucioná-la é o combustível que move a grande maioria dos pesquisadores. Deste modo, todo o processo é algo muito bom e gratificante de ser realizado. No entanto, destaco que o mergulho nas fontes antigas, isto é, a leitura de revistas como a Esqueite, publicada no ano de 1977, ou a Brasil Skate, do ano de 1978, foram os momentos, talvez por conterem aspectos já distantes do presente, de maior empolgação.

Existe alguma história engraçada ou curiosa que ocorreu? Achei curioso descobrir, quando pesquisava sobre skate nas páginas da Revista Geração Pop (publicada pela editora Abril de 1972 a 1979), que a atriz Jodie Foster, famosa por sua atuação em filmes como “Taxi Driver”, “Nell” ou “Silêncio dos Inocentes”, foi uma praticante de skate em sua juventude. Estamos acostumados a saber que músicos, geralmente ligados ao cenário alternativo, como Ian Mackaye ou Henry Rollins, por exemplo, foram praticantes de skate. No entanto, achei curioso descobrir este fato sobre a Judie Foster. Mas isso revela também a dimensão cultural do skate, algo, às vezes, muito maior do que imaginamos.

O que você gostaria de destacar neste trabalho? Gostaria de destacar, para quem tiver interesse em ler, o primeiro capítulo produzido com base na análise do vídeo-documentário “Dogtown and Z-Boys”, dirigido por Stacy Peralta e lançado no ano de 2001 pela Alliance Atlantis. Neste capítulo, há o levantamento de uma série de questões que envolvem a apropriação, realizadas pelos Z-Boys, das piscinas californianas, no início da década de 1970, como as primeiras pistas de skate vertical.

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A partir da sua pesquisa você adquiriu bastante conhecimento. Quais suas dicas para termos um skate melhor? O skate pode contribuir para uma vida mais lúdica, além de ser um instrumento importante na ampliação das redes de sociabilidade. Além disso, trata-se de uma prática de fronteiras fluídas, isto é, tem relação com a música, com a arte e com diversas formas de expressão. Andar de skate, por si só, já é uma experiência corporal incrível, por isso é tão comum escutar verbos como “voar”, “equilibrar” ou “deslizar” sendo associados a essa prática cultural. Independente de campeonatos, patrocínios ou quaisquer outros eventos que ajudam a mover e sustentar o mercado, a simples prática do skate pode oferecer uma experiência de liberdade de movimentos que dificilmente é encontradas em outras manifestações esportivas.

Estudando o passado podemos compreender o presente e prever o futuro. Como você imagina o futuro do skate? Certamente algumas questões já afloram nos dias atuais e marcam uma diferença para com o passado do skate. Durante a segunda metade da década de 1980, por exemplo, em função do desenvolvimento do streetskate e da influência do visual do punk sobre esta atividade, diversos skatistas sofreram uma grande dose de repressão, chegando o esporte a ser até mesmo proibido na cidade de São Paulo no ano de 1988. No entanto, com o surgimento das skateparks e de uma maior estrutura mercadológica ligada a esta atividade, como o aparecimento dos X-Games e a veiculação do skate na mídia televisiva, veja o programa “Skate Paradise” do canal ESPN, por exemplo, há uma tendência em o skate, cada vez mais, conquistar uma quantidade mais expressiva de adeptos e simpatizantes. A prática do skate na rua será, muito provavelmente, algo ainda marginalizado. Pois a cidade não foi pensada pelos urbanistas como um palco para manobras radicais e dificilmente lojistas ou demais proprietários de estabelecimentos comerciais vão achar graça em ver skatistas descendo o corrimão de suas lojas ou pulando suas escadas. No entanto, as outras modalidades, como o vertical, o banks ou mesmo o skate praticado em pistas de street, essas possivelmente conquistarão mais admiradores entre o público leigo. Atualmente já é difícil encontrar pessoas que não saibam quem é o Bob ou o Sandro “Mineirinho”, por exemplo. O skate construiu heróis, ícones do esporte que estão conseguindo ultrapassar a barreira da tribo e ingressar no imaginário coletivo. Além disso, a atividade vem apresentando uma nova geração com muito “skate no pé”, nomes como o jovem Pedro Barros, por exemplo, já estão caindo na graça popular e ajudando a levar o skate, cada vez mais, para um público amplo.

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Você gostaria de ver o skate nas olimpíadas? As versões mais experimentais do skate, como a mega rampa ou os novos formatos de parks e jam sessions em pistas de street, essas encontram um lugar já consolidado e de muito sucesso nos X-Games. No entanto, acredito que a versão clássica do vertical, isto é, o skate praticado num half-pipe padrão, este poderia ser muito bem utilizado nas olimpíadas. Se há skatistas que são contra, eles não precisam competir, ninguém é obrigado a fazer o que não quer. De todo modo, pelo o que acompanho dos depoimentos veiculados na mídia, a maioria dos skatistas de vertical é favorável a essa inserção, pois eles enxergam nisso algo positivo para o skate, algo que ajudaria tanto na promoção de seus patrocinadores quanto na possibilidade de levar o skate a um público mais diversificado. O vertical é uma modalidade muito atraente do ponto-de-vista estético, pois os movimentos possuem amplitude e beleza plástica. A entrada do skate vertical seria um bom negócio tanto para as olimpíadas - que demonstraria uma renovação em seus quadros esportivos - quanto para a grande maioria dos skatistas profissionais. Para o público admirador, seria mais uma oportunidade de presenciar uma competição de alto nível. No entanto, devo ressaltar que o skate não precisa, obrigatoriamente, entrar nas olimpíadas para ser considerado um esporte. As estatísticas que o apontam como uma das atividades mais praticadas atualmente já são mais do que suficientes para demonstrar sua relevância social. De todo modo, como disse anteriormente, a inserção do skate vertical nas olimpíadas pode configurar algo positivo para a modalidade.

Muitas vezes uma idéia puxa outra. Você teria sugestões de outras pesquisas sobre o skate que poderiam ser realizadas? Acompanho a produção acadêmica sobre skate e sei que várias pesquisas estão sendo realizadas com base na antropologia urbana e na sociologia do esporte, e realmente alguns nomes novos, como os mestrandos Giancarlo Machado (USP) e Mauricio Olic (PUC/SP), estão despontando como excelentes pesquisadores do skate nessas áreas. No entanto, pesquisas que caminhem pela interface entre a Geografia Cultural e a Geografia

Urbana também poderão colaborar com a produção de conhecimentos. Ainda não vi nenhuma obra sendo realizada na área da Geografia. Fica a sugestão, portanto, para aqueles com formação nesta área problematizar o objeto a partir de sua categoria principal, que é a questão do espaço.

Qual a principal diferença entre fazer uma graduação e fazer um mestrado? E doutorado? A principal diferença liga-se a questão da busca pela autonomia intelectual no que diz respeito a produção, nesta ordem, de uma monografia, de uma dissertação e, finalmente, de uma tese. Isso pode ficar mais claro se observamos o papel, por exemplo, do professor orientador nesse percurso. Assim, enquanto numa monografia a intervenção do orientador é mais expressiva e, na maioria das vezes, extremamente necessária; exercendo ele o papel de uma espécie de “tutor” de seus alunos e compromissado com a iniciação destes aos métodos de pesquisa, já na elaboração da dissertação de mestrado seu papel modifica-se para, num progressivo afastamento, contribuir para que o mestrando realize seus primeiros ensaios na busca de autonomia acadêmica. No doutorado, o papel do orientador é mais de interlocução qualificada, uma vez que o doutorando deve conquistar a maturidade necessária para exercer plenamente sua proposta de pesquisa. Deste modo, embora monografias, dissertações e teses sejam, em primeiro lugar, textos acadêmicos e por isso a obrigatoriedade de se respeitar as exigências técnicas (bibliografias, notas, citações , etc), numa monografia de final de curso o que se espera do graduando é uma iniciação aos métodos de pesquisa e escrita, já numa dissertação de mestrado é esperado uma capacidade de constituir problemáticas e um trabalho de operação conceitual e documental mais sofisticado, no doutorado, além da questão da inovação do conhecimento, espera-se que o futuro doutor consiga realizar um reflexão teórica mais densa e abrangente.

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Para quem está iniciando um trabalho de conclusão de curso ou um mestrado, qual é a sua dica para que o trabalho saia bem feito? Ler muito e cruzar leituras de diversas áreas. Não ficar preso somente a uma área do conhecimento, mas buscar explorar possibilidades de diálogo interdisciplinares. Além disso, obviamente, ter conhecimento do que já foi produzido, academicamente, sobre o seu objeto de estudo.

Como a universidade, professores e colegas receberam as suas pesquisas sobre skate? De uma forma geral houve uma boa acolhida do tema, principalmente entre os historiadores abertos à interpretação dos lazeres, costumes e modos de comportamento, ou aqueles mais próximos ao que é chamado de história cultural ou história das representações. Deste modo, assim que terminei o Mestrado consegui publicar uma quantidade significativa de artigos em revistas acadêmicas, como na “Recorde: Revista de História do Esporte”, vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro, ou na Revista Conexões, vinculada à Unicamp. Além disso, na mídia especializada em skate, fui convidado a participar da coluna “dando idéia” da revista 100% e acabei escrevendo uma série de textos para essa revista, principalmente entre os anos de 2004 e 2008. O último texto que escrevi foi na estréia da revista após sua fusão com a SKT, intitulado “História das revistas de skate no Brasil”, escrito em parceria com o Marcelo Viegas, cientista social e um dos editores desta publicação. Para concluir, vale destacar um artigo recém publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional, edição nº 54, de março de 2010, intitulado “Metralhadoras contra skates”, no qual enfatizo algumas questões ligadas tanto à marginalização quanto à esportivização do skate.


Para encerrar, mande o seu recado para os leitores do Ciência do Skate E-Zine.
Em primeiro lugar gostaria de agradecer a oportunidade e dar os parabéns a todos envolvidos na produção desta revista virtual, a qual vejo como a melhor iniciativa já tomada no Brasil para o fortalecimento e o aumento na circulação das pesquisas voltadas para o skate. Aos leitores interessados em estudar o skate, o que posso afirmar é que se trata de um campo de estudos muito promissor e amplo. No entanto, é muito importante escolher em qual universidade se deve tentar levar a pesquisa adiante. Deste modo, uma dica importante é saber onde estão atuando os docentes qualificados para orientar uma pesquisa sobre skate. Não adianta elaborar um projeto magnífico e pedir orientação para alguém não implicado nessa área de estudos. Tal feito seria, para usar uma expressão no mínimo engraçada, dar “pérolas aos porcos”.
 

O resumo e o download completo da dissertação está disponível na página 39 desta edição.

 

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