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EDITORIAL

 

 

Mais uma edição mostrando o skate acontecendo pelo mundo e as novas pesquisas científicas sobre nosso querido carrinho. Bons vídeos, boas fotos e um conteúdo inteligente, no sentido de fazer o skate crescer.

 

As novas pesquisas cadastradas trazem informações nas áreas de história, biomecânica, sociologia e educação. A pesquisa destaque fala sobre o skatepark de São Bernardo do Campo, um exemplo a ser seguido. Este estudo mostra que quando somamos forças conseguimos fazer coisas muito legais.  Mostra também que se queremos um skate, uma sociedade e um mundo melhor, precisamos nos unir, acreditar nos nossos sonhos e trabalhar para torná-los realidade. Não é fácil trabalhar em equipe. Já cansei de ouvir histórias e vivenciar grandes confusões causadas porque a galera se reuni para fazer algo acontecer. Mas com paciência e conhecimento, é possível sim trabalhar em equipe e fazer os nossos sonhos se tornarem realidade. A pista de São Bernardo do Campo é prova real disso.

 

Na entrevista desta edição, Tony Honorato, um dos grandes pesquisadores do skate, sugere: "estude o que desejar, pois o mundo gira, gira e alguém se interessará por seu estudo". Realmente, fazer o que desejamos, ou o que gostamos facilitará o sucesso, pois trará entusiasmo para o que fazemos e para nossas vidas.

 

E já que o Tony liberou para estudarmos o que quisermos, vamos estudar um pouco de skate! Boa leitura!

Révisson Silva

 

 

 ÍNDICE

editorial   6

       6

NOTÍCIAS   8

   8

Novas pesquisas   9

      9

ANEXO 10

 10

pesquisa destaque  30

     30

VÍDEOS 32

32

resumos 38

      38

TROCANDO IDÉIA 42

 44

 

 
CIÊNCIA DO SKAT
E  E-ZINE #2

 Editor: Révisson Silva
 Editor de fotografia: Daniel de Souza
 Colaboradores: Rodrigo K-b-ça, João
 Brinhosa, Thiago Neves, Igor Armbrust, César
 Marangoni.
 
 
Agradecimentos: Marcelo Amaral, Faira
 Beck, Welington Silva, Tony Honorato, Elisabeth
 Hayes e Dimitri Pereira.
 Na capa: Patrick Vidal. Nollie Hellflip.
 Porto Alegre/RS, 200?. Foto Daniel de Souza.


 

Os artigos publicados não refletem
necessariamente a opinião dessa revista,
e sim de seus autores.

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NoTíCiAs
OS PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS do Mês
 
 
NoVaS pEsQuIsAs
as últimas Referências de livros,
artigos científicos e trabalhos acadêmicos cadastrados

 

 

campeões do CIRCUITO MUNDIAL wcs 2009

O Word Cup Skateboarding (WCS) é o principal circuito mundial de skate, e em 2009 foram 26 competições de altíssimo nível. Os campeões  no Street foram Carlos de Andrade-BRA e a Lacey Baker-USA, no Vertical Renton Millar-AUS  e a Lyn- Z Adams-USA, e no Bolw o Benji Galloway-USA e a Julie Kindstrand-USA.

 

Chris Cole é eleito Skatista do Ano

Em 2009 o skatista americano Chris Cole ganhou pela segunda vez um dos mais importantes prêmios de reconhecimento da carreira de um skatista. O prêmio SOTY, Skater of the Year, realizado pela Thrasher Magazine.

 

Bam Margera lança auto-biografia

O famoso e maluco skatista Bam Margera, estrela do Jack Ass, acaba de lançar sua autobiografia. O livro "Serious as Dog Dirt".

 

Skate nas Escolas em Mauá

Hans Grudzinski em Mauá - SP foi a última escola visitada pelo Skate nas Escolas em 2009. Os alunos receberam brindes, prêmios e puderam conversar e curtir as demos de diversos skatistas. Este projeto tem o intuito de mostrar a importância do skate para escola e da escola para o esporte.

 

campeões do Circuito Universitário de Skate

Os campeões do 1º Circuito Universitário de Skate realizado em São Paulo foram: Feminino - Fernanda Valiati (UNIP); Estreante - Filipe Flow. Amador - Ricardo Cipolla (FMU) e no Profissional - Jackson Kleber (Metodista).

 

8ª Temporada do Brasil Skate Camp

O Brasil Skate Camp chegou a sua oitava temporada, que rolou entre os dias 13 e 16 de janeiro. Além de diversas atrações e muito skate, a equipe da Volcom e da Nike visitaram o acampamento realizando demos e diversas brincadeiras.

 

 

   073. HONORATO, Tony. Uma história do Skate no Brasil: do lazer à esportivização. In: XVII Encontro Regional de História - O lugar da história., 2004, UNICAMP-Campinas. ANPUH São Paulo, 2004. v. 01. p. 01-14. Resumo e download disponível na pág. 38 desta edição.
   283. HONORATO, Tony. Processos civilizadores e constituição dos grupos sociais. In: IX Simpósio Internacional Processo Civilizador, 2005, Ponta Grossa / PR / Brasil. Anais do IX Simpósio Internacional Processo Civilizador. Ponta Grossa : Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR, 2005. Resumo e download disponível na pág. 39 desta edição.
   284. HAYES, Elisabeth. Becoming a (Virtual) Skateboarder: Communities of Practice and the Design of E-Learning. University of Wisconsin-Madison. Department of Curriculum & Instruction. Madison, WI. 200? Resumo e download disponível na pág. 40 desta edição.
   285. NEVITT, Matthew; DETERMAN, Jeremy; COX, Joseph; FREDERICK, Edward. Ground Reaction Forces In Skateboarding: The Ollie. Sole Technology Institute. North American Congress on Biomechanics - NACOB. August 5-9. Ann Arbor, Michigan. 2008. Resumo e download não disponível.
   286. PEREIRA, Dimitri W. Perfil de skatista do parque da juventude em São Paulo. IN: I CONGRESSO BRASILEIRO DE ATIVIDADES DE AVENTURA, 2006, Balneário Camboriú/SC. ANAIS I CBAA, SC, 2006. Resumo e download disponível na pág. 41 desta edição.
   287. SILVA, Welington Araújo; MIRANDA FILHO, Vamberto Ferreira. Tráfico entre os skatistas: cultura e organização comunitária. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, XII, 2001. Resumo e download disponível na pág. 42 desta edição.
   288. PEREIRA, Dimitri W; MENEZ, E. O skate em São Bernardo do Campo: III CONGRESSO BRASILEIRO DE ATIVIDADES DE AVENTURA, 2008, Santa Teresa/ES. ANAIS III CBAA, ES, 2008. Resumo e download disponível na pág. 43 desta edição.

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AnEXO

Alex Carolino. Backside Fakie Pivot Reverse. Porto Alegre/RS, 200?.
Foto Daniel de Souza

 

AnEXO

Thiago Pingo. Swicht Flip. Porto Alegre/RS, 200?. Foto Daniel de Souza

 

 

 

AnEXO

Damacena. Swicht Frontside Hellflip. Campinas/SP, 200?. Foto Daniel de Souza

 

AnEXO

Gutiele Pulga. Nollie Shovit. Florianópolis/SC, 2009. Foto João Brinhosa

 

AnEXO

Guilherme Zolim. Swicht Crooked. CWB- Curitiba/PR, 200?.
Foto Daniel de Souza

 

AnEXO

Paulo Galera. Nollie Nose Grind. CWB - Curitiba/PR, 200?. Foto Daniel de Souza

 

 

 

AnEXO

Carlos Iqui. Nollieflip Noseslide. CWB Curitiba/PR, 200?. Foto Daniel de Souza

 

AnEXO

Carlos Aliati. Frontside Nosebluntslide. Porto Alegre/RS, 200?. Foto Daniel de Souza

 

AnEXO

Maciel Bueno. Frontside Crooked. Piracicaba/SP, 200?. Foto Daniel de Souza

 

AnEXO

Diego Mattos. Swicht Frontside Blunt. Blumenau/SC, 200?. Foto Daniel de Souza

 

 

 

AnEXO

Guguinha. Nollie Frontside Heelflip. Cachoeirinha/RS, 200?. Foto Daniel de Souza

 

 

AnEXO

Bruno Araújo. Backside Feeble Out. São Paulo/SP, 200?. Foto Daniel de Souza

AnEXO

Daniel Marques. Frontside Smith. Barcelona/EUR, 2010. Foto Rodrigo K-b-ça

 

AnEXO

Vinicius Gama. Hardflip. Florianópolis/SC, 2009. Foto João Brinhosa

 

 

PeSqUiSa DeStAqUe
por Révisson Silva

 
 

Segundo os pesquisadores, o projeto da pista de São Bernardo do Campo serve como modelo para outras prefeituras, porém não adianta querer implementar um projeto deste apenas com dinheiro. O projeto arquitetônico da pista de São Bernardo do Campo é obra de engenheiros e de skatistas, e a operacionalização do local é realizada com responsabilidade e se vincula a um projeto social chamado Juventude Cidadã.

Dimitri Pereia afirma: "São Bernardo deu um passo a frente de outros governos há mais de 20 anos atrás quando possibilitou que um esporte marginalizado socialmente pudesse receber atenção do poder público, e hoje colhe os frutos dessa iniciativa que proporciona um encontro do cidadão com sua raiz através do movimento e do lazer".

 

-> Resumo e download desta pesquisa na pág. 43 desta edição.

 

O SKATE EM

SÃO BERNARDO DO CAMPO

 

 

Uma pesquisa desenvolvida na UNINOVE em São Paulo teve como objetivo revelar a importância do skate no município de São Bernardo do Campo e a sua influência na cultura esportiva dos jovens da região.

 

Para fazer este estudo o Profº Dimitri Wuo Pereira, mestrando em educação física pela Universidade São Judas, e a Profª Evelyn de Menezes, formada em Educação Física pela FEFISA, realizaram uma entrevista com o administrador do Parque Cidade Escola da Juventude, o maior parque de esportes radicais do Brasil, na qual se localiza a pista de skate de São Bernardo do Campo. Esta entrevista foi gravada e transcrita demonstrando a trajetória do skate na cidade, os impactos sociais e a importância na política pública municipal.

]

Os resultados indicaram que ações públicas que buscam compreender os esportes radicais como uma forma de sociabilidade e conquista da cidadania tendem a se espalhar pelo país. Porém, é preciso sensibilizar-se para perceber na atitude e no comportamento dos jovens a formação das tribos, pois somente desta forma será possível visualizar os elos de ligação com a sociedade do futuro. Ouvir os integrantes da comunidade skatista e entender seus símbolos, sua linguagem, sua vestimenta e seu comportamento, é fundamental para a execução de um espaço público que funcione.

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VíDeOs

 THIS IS QATAR

 

 

 

 

 

 

 

Este documentário conta com a participação da equipe espanhola da Nike SB em uma turnê no Qatar, um país da Península Arábica localizado no sudoeste da Ásia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VíDeOs

 DEW TOUR FEMININO STREET

 

 

 

 

 

 

 
 

No vídeo as americanas Vanessa Torres,  Lacey Baker, Alexis Sablone, Lyn-Z Adams e a brasileira Leticia Bufoni andando na etapa Dew Tour ISF Word Championship em Boston, USA, no ano passado.
 

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VíDeOs

HOT HEELS ÁFRICA 2009

 

 

 

 

 

 

 

Uma grande competição de Downhill realizada na África, o Hot Heels Africa 2009, que vale pontos pelo International Gravity Sports Association (IGSA). Os campeões mundiais do IGSA 2009 na modalidade Downhill Masculino foi Mischo Erban, e no Downhill Feminino Dasha Kornienko.

 

 

 

 

 

 

 

VíDeOs

O 1º VÍDEO DE SKATE DA CHINA

 

 

 

 

 

 

 

It´s Wrap é o nome do primeiro vídeo dos chineses. Boas imagens e boas manobras. Este vídeo registra a evolução do skate na china.

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VíDeOs

CHRIS HASLAM

 

 

 

 

 

 

 

 

Para quem gosta de manobras difíceis de street no solo, está aí mais um desafio, apresentado por Chris Haslam, famoso skatista canadense.

 

 

 

 

 

 

 

VíDeOs

HALFPIPE EM 1991

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta é a primeira parte de uma série de quatro vídeos que mostram o skate no Halfpipe no ano de 1991 em Houston, Texas. Buster Halterman, Chris Gentry, Lance Mountain, Mike Frazier, Bod Boyle, Darren Menditto, Dave Le Roux, Remy Stratton, Tony Hawk e muitos outros.

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ReSuMoS

 

 

 

Uma história do Skate no Brasil: do lazer à esportivização
por TONY HONORATO
 
Resumo: A proposição é descrever empiricamente uma história da modalidade Skate no Brasil. Para orientação desta descrição partimos dos preceitos de Norbert Elias & Eric Dunning (1992) e Pierre Bourdieu (1983). De Elias e Dunning assumimos a orientação que há um processo de transição do lazer à esportivização. Já de Bourdieu ancoramos na suposição que “a história do esporte é uma história relativamente autônoma que, mesmo estando articulada com os grandes acontecimentos da história econômica e política, tem seu próprio tempo, suas próprias leis de evolução, suas próprias crises, em suma, sua cronologia específica”1. Neste sentido buscamos identificar como foi se constituindo, processualmente, as pistas de skates, os primeiros campeonatos, os atores sociais, as instituições, os produtos esportivos, os vendedores de espetáculos, a profissionalização e outras práticas socialmente aceitáveis em um determinado momento que especificam a modalidade Skate e seus praticantes figurando a tribo skatista. DownloAD
 

 

 

ReSuMoS

 

 

 

Processos civilizadores e constituição dos grupos sociais
por TONY HONORATO
 
Resumo: A proposição é discutir qual a relação entre o surgimento de grupos sociais e os processos civilizadores. Partimos da idéia que tal relação pode ser compreendida ao analisarmos ambos como processos interdependentes, não planejados a longo prazo e detentores de indicadores de mudança — tais como: comportamento, habitus, poder e controle das emoções. Por isso, o entendimento da construção de grupos sociais tornar-se-ia significativo para compreensão e explicação das civilizações e instituições nas quais eles se relacionam. Para ilustrar, apresentamos a constituição de um agrupamento social específico, a ‘tribo skatista’.           DownloAD

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ReSuMoS

 

 

 

Becoming a (Virtual) Skateboarder: Communities of Practice and the Design of E-Learning

por Elisabeth HAYES
 
Resumo: This paper explores the potential value of using a theory of learning as participation in communities of practice as a basis for the design of e-learning. An analysis of a popular videogame is used to illustrate how digital technologies can be used to provide learners with an experience of moving from novice to expert in a distinctive, though virtual, community of practice. Implications include a shift in focus from organizing content to designing experiences as a starting point for creating new forms of e-learning.    DownloAD
 
 

 

 

ReSuMoS

 

 

 

Perfil de skatista do parque da juventude em São Paulo

por DIMITRI PEREIRA
 
Resumo: O Skate surgiu como uma brincadeira, na Califórnia dos anos 1950-60, jovens colocaram rodas de patins em pranchas de surf e começaram a descer as ladeiras. No Brasil teve a mesma influência do surf, sendo chamado em meados de 1960 de “surfinho”. O filme “Lords of Dog Town” retrata esse cenário. Adolescentes viviam em meio ao rock’n’roll, a violência, as drogas e as bebidas contestando os valores sociais. Assim surge um esporte informal e não disciplinador. É fato que a influência do surf considerado na época como atividade de desocupados, ajuda a entender esse comportamento. Mas foram as rodas de uretano recém criadas, que possibilitaram um salto de qualidade nas manobras. Isso porque o skate antes praticado no deslize sobre o piso agora voava. Esses novos movimentos atraíram mais os adolescentes a tentar superar-se e vencer a gravidade. Esse estudo procurou verificar quem são e o que pensam os praticantes de skate do Parque da Juventude, em São Paulo, para entender melhor essa evolução. No mês de agosto de 2006, foram entrevistados 17 praticantes, com idade média de 20,2 anos e desvio padrão de 6,8 anos e tempo de prática médio de 6 anos e 3 meses com 6 anos de desvio padrão. Os dados mostram que são jovens, mas há convivência de indivíduos pré-adolescentes com adultos, percebe-se que as origens históricas de transmissão de conhecimentos e valores não mudaram. A principal influência para o início da prática são os amigos para 14 indivíduos entrevistados. 13 indivíduos já participaram de competição, isso revela o que Honorato (2004) já apontava, uma relação entre esporte e lazer não dicotomizada. Esse estudo não conclusivo pretendeu elucidar questões referentes ao mundo do skate e pretende partir para novas descobertas problematizando os aspectos educacionais e sociais dessa atividade.            DownloAD
 

 

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Tráfico entre os skatistas: cultura e organização comunitária

por Welington silva
 
Resumo: O presente trabalho se configura como um relato de experiência de um projeto realizado junto a comunidade do Feira VII, na cidade de Feira de Santana, Bahia. Procuramos mostrar aqui, de forma objetiva, o percurso de uma experiência extremamente positiva de ação no campo da cultura, envolvendo um grupo de jovens skatistas da comunidade.  DownloAD
 

 

 

ReSuMoS

 

 

 

O skate em São Bernardo do Campo

por DIMITRI pereira
 
Resumo: O skate é uma prática de esportes de aventura que tem grande aceitação entre os jovens. Seu surgimento relaciona-se com a contra cultura dos anos de 1960-70, tendo sido fortemente influenciado pelo rock, pela rebeldia jovem, além das drogas e violência marcantes nesse período de contestação. Atualmente é muito mais aceito na sociedade e inclusive recebe crédito de formação social e educacional. Nesse sentido, o envolvimento de políticas públicas foi o alvo desse estudo e pudemos concluir que o skate pode ser uma ferramenta de aproximação entre a cultura jovem e a cidadania.    DownloAD

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TrOcAnDo iDéIa

entrevista Révisson Silva

 

 

 tONY
   HONORATO

  Conheça este
  professor acadêmico,
  amante do skate
  e autor de um
  grande número de
  artigos científicos
  sobre o carrinho.
  
 

 

Tony, como é o seu dia a dia e o seu envolvimento com o skate? Atualmente moro em Londrina-PR, sou professor no Curso de Educação Física da UEL e curso doutorado em Educação na UNESP campus Araraquara-SP. Assim o meu dia a dia está repleto de atividades de sala de aula, reuniões, orientações de estudantes, pesquisa, leitura e, de uma coisa muito importante, de diálogo com as pessoas. Meu envolvimento com a cultura skatista teve início na cidade de Leme, interior paulista, onde vivi minha adolescência com intensas experiências skatistas. Ainda tenho meu “carrinho”, mas, por razões diversas, tenho me limitado ao prazer de ler as revistas sobre skate (sou assinante de duas), de acompanhar a produção acadêmica sobre o tema e de pessoalmente organizar uma hemeroteca referente à cultura skatista. Falar do cotidiano é refletir sobre a vida. A minha vida tem sido produzida na complexidade de ser homem nesta sociedade contemporânea que nos desafia para a velocidade do viver em múltiplas configurações sociais no plano pessoal e profissional.

 

 


Existe alguma história engraçada ou curiosa que ocorreu durante suas pesquisas?
Sim, várias! Uma inesquecível foi quando eu estava entrevistando skatistas na mini-rampa da cidade de Piracicaba-SP e um skatista falou:
eu concedo a entrevista se você ‘dropar’ na mini. Depois de muito diálogo, risadas e provocações, eu revivi a tensão e o prazer de um dropping após seis anos.


Você acredita que o skate deve ser utilizado dentro dos colégios como ferramenta de educação? Neste caso, quem ganha mais, o colégio ou o skate? Fale um pouco sobre esta relação. A prática do skate porta princípios educativos. Contudo muitas escolas ao incorporar o skate como ferramenta de ensino trata-o como meio para outro fim, para ensinar geometria por exemplo. Isso é problemático! O interessante é a escola tratar o skate como um fenômeno cultural interdisciplinar detentor de um processo de ensino-aprendizagem específico. Na pesquisa de mestrado eu aponto a aprendizagem do skate ancorada, no mínimo, em três elementos: sociabilidade, ação motora e emoção.
 

Você fez um mestrado no ano de 2005 com o trabalho “A tribo skatista e a instituição escolar: o poder escolar em uma perspectiva sociológica”. Como foi fazer este mestrado? Realizar a pesquisa de mestrado sobre as relações entre skatistas e instituição escolar foi ultrapassar os muros escolares, pois fomos até o locus de produção acadêmica que muitas vezes é considerado menos significativo para o campo da educação: as configurações não-escolares constituintes dos estudantes. Fomos aos lugares sociais dos skatistas para buscar informações referentes à instituição escolar. A partir do olhar dos skatistas, uma das considerações produzidas foi que a tribo skatista é uma forma de agrupamento social interligado à prática cultural denominada Skate, que nasce entre nós para extravasar emoções na crescente individualização no processo civilizador e amplia as cadeias de interdependência na sociedade moderna, em particular, na configuração escolar. Na escola quando os skatistas chegam com sua prática cultural, não ordenada pelos professores, promovem tensão (ex: querem andar de skate no pátio e a escola tenta proibir) e o tema poder entra em discussão. Então outra consideração foi que os skatistas também têm acesso às fontes de poder colocando o poder na escola em (re)equilíbrio.


 

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Os métodos de ensino e a educação passam por um grande processo de transformação. Você acredita que o skate pode ajudar as instituições de ensino a educar seus alunos? O processo de ensino-aprendizagem do skate envolve reflexões e ações ao (re) produzir, (re)criar e sentir as emoções provocadas e aprendidas com o outro no ato de se movimentar com auxílio do equipamento skate. Esta dinâmica, uma vez observada pelos educadores, pode elucidar alternativas de ensino para um educar dos alunos de maneira descontraída.

Você tem uma pesquisa intitulada “Escola: espaço para formação de atleta?”. Na sua visão, a Escola deve ser um espaço para formação de um atleta? Não pesquiso este tema, porém, no ano passado fui convidado para falar deste assunto num Congresso de Educação Física na UFPE em Recife. Penso que na escola básica não se forma atleta, muito menos skatista profissional. O problema é que parte de nossa sociedade entende o esporte de rendimento (formação de atleta) como uma prática hegemônica, quando ela é apenas uma possibilidade para poucos. Na escola o esporte deve ser tratado pedagogicamente como fenômeno cultural, e o skate é uma vivência a ser ofertada neste contexto. Um dos papéis da instituição escolar é provocar, ensinar e formar os estudantes para a diversidade cultural, dando visibilidade para o que até então era ‘abstrato’. A cultura skatista é uma das diversidades contemporâneas.

Recentemente você concedeu uma entrevista para o Jornal Diretriz do Curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo que recebeu o título “Skate tenta romper preconceitos em São Paulo". Fale um pouco sobre este assunto. Na ocasião eu disse que o skatista “sem dúvida produz um conjunto de representações, carismas e estigmas que são expressos e imaginados em sociedade. Contudo afirmar que o skate é na atualidade um esporte que recebe preconceito parece-me uma afirmação tentando substituir evidências. O fato é que
o universo do skate nos últimos vinte anos tem produzido uma representação sobre o ser skatista que busca superar preconceitos, essa representação é difundida e propagada pelos skatistas, pelos empresários e pelos veículos midiáticos.

 



Na sua visão, qual é o futuro do skate?
Vou me abster desta questão.
Sempre que possível opto por não falar do futuro das coisas porque elas ainda não existem.

 

Que outras pesquisas poderiam ser feitas sobre o skate? Há muitos temas possíveis, o skate como objeto de estudo é interdisciplinar. Creio que um bom ponto de partida é observar as pesquisas já realizadas para então, a partir dos desejos acadêmicos de cada um, delimitar um objeto de estudo. Na área das ciências humanas e sociais temos estudos muito interessantes como o do Leonardo Brandão (2007) que buscou compreender o skate de rua numa perspectiva histórica; o do Billy Graeff Bastos (2006) que analisou a trajetória social de skatistas patrocinados e profissionais; o da Maria Regina de M. Costa (2004) que investigou os mitos e símbolos que fundam as representações de aventura, risco e vertigem dos praticantes da modalidade street; o da Márcia Luiza M. Figueira (2008) que evidenciou o lugar das skatistas mulheres no universo do skate; entre outros estudos que são fontes de inspiração para novos temas de pesquisa.

 

Desde 2007 você está fazendo doutorado em Educação Escolar. Você pode explicar melhor esta pesquisa? Ela possui alguma relação com o skate? A pesquisa de doutorado em desenvolvimento objetiva investigar relações de poder em uma das mais antigas escolas do interior do Estado de São Paulo, Escola Complementar-Normal de Piracicaba (1897-1923). A pesquisa não aborda o tema skate, contudo ela tem inspiração nas questões não discutidas no estudo de mestrado que abordou o tema relações de poder entre skatistas e instituição escolar.

Como a universidade, professores e colegas, receberam as suas pesquisas sobre o skate? No início com estranhamento, depois passaram a compreender o tema como pertinente ao entendimento da ordem social contemporânea.

Para quem pensa em fazer um mestrado ou doutorado, qual é a sua sugestão? Não se iluda com objetos de estudos em moda,
estude o que desejar, pois o mundo gira, gira e alguém se interessará por seu estudo.

Para encerrar, mande seu recado para nossos leitores. O importante é viver o skate em suas múltiplas possibilidades. Vivam!

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