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ÍndIcE |
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editorial 6 |
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Novas pesquisas 8 |
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NOTÍCIAS 10 |
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ANEXO 12 |
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pesquisa destaque 28 |
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VÍDEOS 30 |
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resumos 38 |
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TROCANDO IDeIA 42 |
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Editor: Révisson Silva
Editor de fotografia: Daniel de Souza
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EsQuIsAse trabalhos cadastrados |
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BRANDÃO, Leonardo. Publicidades da Rebeldia: Esporte e consumo no ritmo do Punk rock. Revista de Artes e Humanidades. nº5, nov-abr 2010. Resumo e download disponível na pág. 38. Cód. 0298
BILLY, Bastos; RECKZIEGEL, Ana C. de Carvalho. O Skate como Cultura a ser Estudada: A etnografia como uma opção. Apresentação de Poster no XIV CONBRACE - Porto Alegre - 2005. Resumo e download disponível na pág. 39. Cód. 0064
PIMENTEL, Giuliano Gomes de Assis. Notas sobre a vivência de práticas corporais ‘da juventude’ durante a maturidade. Revista Espaço Acadêmico - nº75 - ago/2007 - ano VII. Apenas a introdução disponível na pág. 41. Cód. 0299 |
SILVA, Révisson Esteves; et al. Lower Limb Force, Power and Performance in Skateboarding. In: 25th International Symposium on Biomechanics in Sports, 2007, Ouro Preto. Proceedings, 2007. p. 603-605.2008. Resumo e download disponível na pág. 42. Cód. 0208
Tiago Wright Van. Sobre o skate sobre a cidade. 2009 Trabalho de Graduação (Arquitetura e Urbanismo). São Paulo - Universidade de São Paulo. Orientador: Vladimir Bartalini, 2009. Resumo e download disponível na edição 1.
MAGERA, Ban. Serious as Dog Dirt. Hardcover. MTK Books. 2009. Resumo e download não disponível. Cód. 0300
MACHADO, Giancarlo Marques Carraro. Todos juntos e misturados: um estudo sobre a formação das redes de relações entre skatistas em campeonatos de skate. 2008 Trabalho de Graduação (Ciências Sociais). Universidade Estadual de Montes Claros, UNIMONTES, MG - Brasil. Resumo e download não disponível. Cód. 0301
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NoTíCiAs |
Distribuidor autorizado Atlântico Sul Com. Imp. ltda - atlanticosulsk8@uol.com.br |
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Douglas Dalua é o Speedboarder do ano. O skatista brasileiro Douglas Dalua foi escolhido como o “Speedboarder of the Year” pela revista Concrete Wave.
Circuito Universitário 2010. Rolou no dia 1º de maio a etapa inicial do Cirtcuito Universitário 2010, em São Paulo. O evento contou com a presença de 60 skatistas vindos de 38 faculdades. Os resultados foram 1º Fabio Castilho (São Paulo - SP - UNICASTELO); 2º Michel da Silva Pereira (São Paulo - SP - UNIP) e 3º Diego Fiorese (São Paulo - SP - ESEF).
Livro da Vans. A famosa marca de skate acaba de lançar a sua primeira publicação. Trata-se do livro “Vans: Off The Wall”, escrito por Doug Palladini que conta tudo aquilo que você deveria saber sobre a Vans.
Skate nas escolas 2010. No dia 29 de abril foi a vez do Colégio Marajoara ll receber o Projeto Skate nas Escolas, colégio estadual com um total de cerca de dois mil alunos nos três períodos. Participaram desta etapa do Skate nas Escolas os skatistas Diego Korn, Rafael Adão, Wiliam New, JN Charles, Silas Bisteca, Dario Serutti, Denis Silva, Felipe Augusto e os profissionais: Laurence Reali, Rodrigo Maizena, André Hiena e Vanderlei Arame.
Etapas do WCS. Nos últimos dias rolaram duas competições válidas pelo World Cup Skateboarding: o Battle for Supremacy II em Sydney Austrália, vencida por Blake Harris, e o Ceara World Cup Skateboarding em Forteleza Brasil, vencida pelo brasileiro Luan de Oliveira.
Novo Núcleo da Escola de Skate. A Escola de Skate abriu dois novos núcleos, um no colégio Auxiliadora e outro no Colégio Israelita de Porto Alegre, totalizando sete núcleos. |
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AnEXO Roberto dos Anjos. Blunt Shovit to Fakie. EUR, 2010. Foto Rodrigo K-b-ça |
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AnEXO Paulo Galera. Frontside Smith Grind. Canoas/RS, 2010. Foto André Ferrer
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AnEXO Gui da Luz.Switch Heelflip Bigspin. Esteio/RS, 2010. Foto Daniel de Souza
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AnEXO Djorge Oliveira. Nollie Frontside Nose Bluntslide. SC, 2010. Foto João Brinhosa |
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AnEXO Anderson Silveira "Pelezinho". Switch Noseslide 27o out. Porto Alegre/RS, 2009. Foto Daniel de Souza |
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AnEXO Dhiego Correa. Wallride Ollie. Porto Alegre/RS, 2009. Foto Daniel de Souza
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AnEXO Alex Carolino. Hardflip. Porto Alegre/RS, 2010. Foto Daniel de Souza
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AnEXO
Marco Antonio "Marquinhos".
Heelflip Nose Manual Nollie Shovit.
Porto Alegre/RS, 2010. Foto Daniel de Souza |
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OLLIE
Força ou técnica? |
Os resultados demonstram que 76,3% da altura Ollie é determinada pela potência dos membros inferiores, e o restante, 23,7% é resultado da técnica e das outras variáveis. Além disso, os resultados indicam que 50,6% da altura do Ollie é determinada pela variável força dos extensores do joelho da perna dominante. |
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Uma pesquisa desenvolvida em 2007 na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos) no Rio Grande do Sul, pelo Grupo de Estudos do Movimento Humano (GEMHB), teve como objetivo verificar a relação entre a performance da manobra Ollie com a potência dos membros inferiores e a força dos extensores do joelho e quadril em atletas de categorias de base.
Para fazer este estudo foram avaliaram 10 skatistas amadores praticantes de Street há no mínimo dois anos. Foram realizados quatro procedimentos de avaliação: (1) teste de contração voluntária máxima (CVIM), (2) teste de salto vertical com contra movimento (CMJ), (3) teste de salto vertical a partir de agachamento (SJ) e (4) teste de altura da manobra Ollie.
Esta pesquisa foi apresentada no 25th International Symposium on Biomechanics in Sports, 2007, em Ouro Preto, e é resultado do trabalho de conclusão do curso de Educação Física do Prof. Révisson Silva, intitulada "A contribuição da força e potência dos membros inferiores para a performance da manobra Ollie do Skate".
A avaliação da performance do salto Ollie demonstrou que, em média, os skatistas foram hábeis para saltar um obstáculo de 64,5±9,2 cm. |
Ao longo do desenvolvimento da pesquisa o autor observou a existência de diferentes técnicas de movimentação dos braços para se realizar o Ollie. "Movimentar os braços de forma balanceada possivelmente é a técnica mais eficiente quando o objetivo é um Ollie mais alto. Já se sabe que para saltos verticais (pular do chão) balanceando os braços gera saltos mais altos, e no skate deve ser parecido".
Segundo o autor, o skatista que melhor realiza este balanceio dos braços é um dos skatistas avaliados, Luan de Oliveira. "Basta ver um vídeo do moleque e reparar a forma que ele movimenta os braços".
Por fim, a pesquisa concluiu que para skatistas experientes na performance da manobra Ollie, as variáveis potência e força muscular são determinantes. Com isso, pode-se afirmar que o treinamento de força e potência muscular são capazes de gerar melhorias significativas nas performances dos skatistas.
O resumo e o download completo desta pesquisa está disponível na página 41 desta edição. |
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VíDeOs
LOST
"Tarda mas não
falha"
A marca Lost lança o vídeo “Tarda mais não falha”, e tem parte dos skatistas profissionais da equipe Laurence Reali, Luiz Apelão, Rodrigo Maizena, JP Frank e Marco Cruz. |
VíDeOs
"Skate e Globalização"
Primeiro capítulo do documentário "Skate e Globalização" que conta com a participação de Alexandre Vianna, Billy Argel, Roger Mancha, Rene Shigueto, Giancarlo Machado e outros. |
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VíDeOs
visita à fábrica
Visita à fábrica da Never Summer para acompanhar o processo de fabricação de um dos melhores shapes de longboard do mundo. |
VíDeOs
Green Skate Lab
Em Washinton, EUA, existe o Green Skate Lab, um bowl feito com materiais reciclados. No vídeo acima, Mike Vallely visitando o local. |
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VíDeOs
Long Treks EPISODE 2
Este vídeo é o segundo episódio da série “Long Treks”, uma viagem de longboard feita por Adam Colton, Paul Kent e Aaron Enevoldsen na América do Sul. |
VíDeOs
LA RUMBA BACANA
Longboard com Manuel Rivera, Camilo Céspedes e Mauricio Rodríguez em Bogotá - Colombia.
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VíDeOs
DITCH SLAP
Ditch Slap, Albuquerque - New Mexico - EUA. Se você gosta de skate downhill e de transição, este é o seu lugar. No final deste vídeo uma manobra que vale a pena conferir. |
VíDeOs
Chad Tim Tim
A Element Shoes lançou o primeiro episódio da série Trio, vídeos com os skatistas da divisão de tênis da marca. O lançamento foi com skatista Chad Tim Tim.
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ReSuMoS
Publicidades da Rebeldia:
Esporte e consumo no ritmo do Punk rock.
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O
Skate como Cultura a ser Estudada:
A Etnografica como uma opção
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Notas sobre a vivência de práticas corporais ‘da juventude’ durante a maturidade. por Giuliano PIMENTELIntrodução: Em 2007, um professor universitário residente na terceira maior cidade do Paraná, adquire um skate long board (cujas dimensões são maiores que o skate normal, permitindo a simulação de movimentos do surf) e inicia suas tentativas de aprendizado. Não se tratava de um resgate de tempos idos, mas um desejo introduzido quando, num encontro casual, experimentou o skate de um de seus alunos. Em sua infância e adolescência não pudera experimentar essa prática corporal, mas, aos 33 anos, acreditara que ainda era possível equilibrar-se sobre uma prancha movida por rodinhas e deslizar pelo asfalto. De fato, não obstante quedas e dificuldades em dominar o skate, essa pessoa ia conseguindo captar os gestos técnicos e competências físicas e motoras necessárias. Porém, ao deslocar-se era abordado por conhecidos, os quais, admirados, teciam comentários – bem intencionados, não pejorativos – sobre a incompatibilidade da posição social e idade daquele praticante com o objeto de sua ação (o skate), visto como coisa com que se brinca, no máximo, até a adolescência. Talvez aí o espanto de um menino transeunte: “Tio, não sabia que existia skate para gente velha.”. Estaria a postura dos observadores infringindo ao sujeito uma limitação de sua liberdade individual em nome de convenções ocultas sobre limites entre faixas etárias? A atitude desse skatista remete-se a uma recusa contemporânea em não envelhecer ou, ainda, negação do amadurecimento (Síndrome de Peter Pan)? Por que a realização de práticas corporais de aventura (nomeados pela mídia como esportes radicais) prendeu-se no imaginário à noção de juventude na sociedade Ocidental? |
Lower Limb Force, Power and Performance in Skateboarding por Révisson silvaResumo: The aim of this study was to quantify the contribution of muscle force and power of the lower limbs to the performance of the Ollie in beginner level skateboarders. Ten male athletes who had practiced for at least two years were submitted to three kinds of test: (1) maximal voluntary contraction of the knee and hip extensor muscles; (2) vertical jump tests, Counter Movement Jump (CMJ) and Squat Jump (SJ); and (3) a test developed specifically for this study, to measure the maximum height achieved during the Ollie manoeuvre. The data obtained were submitted to simple linear regression analysis. The results demonstrate that the variance of the Ollie manoeuvre (p<0.05) is explained by the power estimated with the CMJ (76.3%); and the maximal force of the knee extensor muscle (50.6%). The body mass is the determinant factor to the performance of the Ollie.
DownloAD
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TrOcAn GIANCARLO |
Do iDeIa mACHADO |
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1. Gian, você é um grande estudioso do skate. Como é o seu dia a dia? Após a aprovação no mestrado em Antropologia da USP, passei a dedicar-me integralmente as atividades do programa e a minha pesquisa. Sou orientado pelo Prof. Dr. Heitor Frúgoli Jr, e faço parte do GEAC (Grupo de Estudos de Antropologia da Cidade), coordenado por ele. Meu dia a dia é totalmente voltado para leituras, trabalhos de campo, curso de línguas, transcrição de dados da pesquisa, entre outras coisas. No momento estou focado em minha qualificação, e para isto, estou escrevendo o primeiro capítulo da dissertação, a partir de uma análise etnográfica do Circuito Sampa Skate. |
2. Qual é o seu envolvimento com o skate e a sua cultura? Desde a minha adolescência, sempre me interessei pelo skate. Não só pelo seu lado esportivo, mas por outras coisas que o envolvem, como a música, a arte, o estilo de se vestir, a forma de interagir com as cidades. Durante as minhas pesquisas, uma coisa que sempre me despertou curiosidade foram as revistas de skate. Tanto é que, desde então, venho colecionando-as, e atualmente, possuo em meu acervo, revistas de skate da década de 70, 80, 90 no Brasil, além de várias outras importadas, de diversas partes do mundo. Não tenho ideia de quantas tenho, mas, suspeito de que seja mais de quatrocentos. Paralelo as minhas pesquisas, e no sentido de compartilhar todo este material com os skatistas, criei um blog chamado Skatecultura (www.skatecultura.com). O objetivo deste blog é ser um espaço livre, sem muita formalidade, onde eu tento retratar e resgatar alguns fatos antigos e curiosos da história do skate, por meio das matérias publicadas em revistas e vídeos. A partir desta iniciativa apareceram outras oportunidades. Em 2007 fui colunista da extinta Revista SKT, e em 2008, escrevi várias matérias sobre diversos assuntos para a Revista Tribo Skate. 3. Como está o desenvolvimento do seu mestrado? A ideia inicial do mestrado era pesquisar a sociabilidade entre os skatistas participantes do Circuito Sampa Skate, bem como os múltiplos significados atribuídos a este evento. Mas, com o tempo, a partir da rede de sociabilidade que foi alargada, ampliei o foco da pesquisa, e no momento, tenho pesquisado também a prática do skate nas ruas e nas pistas da cidade de São Paulo. Tenho muitas ideias em mente e para isto, a realização do trabalho de campo junto aos streeteiros é essencial. |
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4. Qual a sua formação e como foi realizar suas principais pesquisas sobre o skate? Conte um pouco sobre estes desafios. Concluí, em 2008, o curso de Ciências Sociais, na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes/MG). Comecei a estudar o skate durante a graduação, por meio de um projeto de iniciação científica que, posteriormente, tornou-se meu trabalho de conclusão de curso. O foco do estudo na época era a sociabilidade em campeonatos de skate. Tive a oportunidade de fazer alguns trabalhos de campo em diferentes campeonatos, em cidades como João Monlevade/MG; Ipatinga/MG e Curitiba/PR. Foi uma experiência bem interessante, pois a partir daí eu comecei a perceber a complexidade e heterogeneidade que envolve o meio do skate. O trabalho desenvolvido durante a graduação não foi tão denso como gostaria, mas, de todo modo, permitiu-me pensar em novas questões que possibilitaram a elaboração do meu projeto de mestrado, onde analiso a prática do street skate na cidade de São Paulo. 5. Fale um pouco sobre as principais conclusões das suas pesquisas. O problema central da minha análise parte das tensões em torno da prática do skate realizada nas ruas. Não é raro encontrar algum streeteiro que já sofreu repressão por andar em algum pico. O poder público, por sua vez, procura intervir na prática do skate com medidas concretas, tentando transferi-las para locais vistos como “adequados”, ou seja, as pistas de skate. Além disso, para estimular - mesmo que indiretamente - o skate nestes espaços, temos aqui em São Paulo, a realização do Circuito Sampa Skate, uma ideia bem interessante que consiste em vários campeonatos realizados em diversas partes da cidade. De um lado, o poder público incentiva o skate em pistas. Por outro lado, as revistas especializadas focalizam a prática do skate nas ruas. Repare que a maioria das fotos publicada é nos picos. Entre estas lógicas, estão os skatistas. Para eles, tanto faz andar em pista ou ruas. Skatista anda em qualquer terreno. Em linhas gerais, eu tento analisar como que certos agentes e instituições classificam os streeteiros a partir de suas posições e criam distinções, cada qual de acordo com sua lógica e interesses, que possui em seu cerne, a forma como o espaço |
público deve ser utilizado. E também, como que os streeteiros incorporam ou ressignificam estas lógicas. Ainda é cedo para falar em conclusões, mas, este trânsito entre ruas, pistas e campeonatos na modalidade street skate revelará coisas interessantes. 6. O que você mais gostou de fazer durante as pesquisas? Sou mineiro, e vim para São Paulo por conta dos estudos. Portanto, não conheço, ou melhor, não conhecia praticamente nada desta cidade. Toda vez que fazia trabalho de campo em alguma etapa do Circuito Sampa Skate, eu tinha a possibilidade de conhecer melhor alguma parte desta imensa cidade, de participar de diferentes situações junto aos skatistas e de vivenciar outras experiências, as quais eu não estava acostumado. Além disso, estranhar um fato familiar; descobrir novas categorias; ler novos autores; dialogar com outras áreas; buscar novos conhecimentos; tudo isto contribui, e muito, para nossa formação enquanto pesquisador. 7. Existe alguma história engraçada ou curiosa que ocorreu durante as pesquisas? Certa vez eu estava com dois skatistas, no Centro de São Paulo. Saímos do Vale do Anhangabaú, paramos no Rei do Mate (ponto de encontro dos skatistas após a sessão) e em seguida, fomos visitar alguns amigos destes skatistas em um escritório que ficava no alto de um prédio na Av. Ipiranga. Porém, quando chegamos lá, tomamos um susto: a polícia tinha cercado o prédio. Havia várias viaturas e diversos homens com todo tipo de arma de dar medo. Algo de estranho tinha acontecido ali. Para aumentar o suspense, ninguém sabia ao certo o que se passava. Um dos skatistas ligou para o escritório, e ninguém sabia de nada também. Ficou aquele clima tenso. Pensei que íamos embora. Mas não. Para minha surpresa, estes skatistas resolveram sentar em frente ao prédio para assistir toda aquela movimentação. Fiquei lá com eles. Tudo indica que havia um ladrão dentro do prédio. Felizmente, não aconteceu nada com os skatistas que estavam lá dentro. Enfim, são várias situações que sempre acontecem, mas esta, por ser mais recente, foi a que veio em minha mente. |
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8. O que você gostaria de destacar sobre suas pesquisas? Gostaria de chamar a atenção para a heterogeneidade deste universo skatista. Muitos pesquisadores começam a estudar o skate sem ter em mente esta questão. Caem no velho estereótipo criado pela mídia não-especializada, da metáfora do skatista que faz parte de uma “tribo urbana” e que todos integrantes deste grupo se vestem com roupas largas, boné aba reta, tênis furados e mandam manobras “radicais”. Skate é muito mais do que isto. Se você parar para pensar, há várias diferenças entre os skatistas. Há aqueles que se consideram atletas; aqueles que não se consideram atletas; aqueles que andam para virar profissional; aqueles que andam por diversão; aqueles que andam preferem andar nas ruas; aqueles que são “pistoleiros”; aqueles que curtem rock; rap, reggae, e por aí vai. São tantas diferenças que aquela velha frase realmente faz sentido no skate: “estamos todos juntos e misturados”. Juntos, pois todos se reconhecem enquanto skatistas; e misturados, pois, embora as diferenças de cada um, todos se relacionam. 9. A partir da sua pesquisa e seu trabalho, você já adquiriu bastante conhecimento. Quais suas sugestões para termos um skate melhor? O skate é uma importante ferramenta de inclusão social, um meio para socializar as pessoas. A partir dele podemos interagir com a cidade, aprender a fazer outra leitura do meio urbano, a encontrar regularidades onde achamos que existe o caos. O skate está aberto para a diversidade, e por meio dele, pode-se descobrir uma infinidade de coisas, seja no meio musical, artístico, político e até religioso. Além disso, há a dimensão lúdica e descomprometida desta prática. Creio que o poder público poderia olhar o skate a partir de vários ângulos, e pensar em políticas de baixo para cima, levando em conta o que os skatistas têm a dizer.
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10. Estudando o passado podemos compreender o presente e prever o futuro. Como você imagina que será o futuro do skate? Nunca parei para pensar nesta questão. Mas imagino que este campo esportivo adquirirá mais visibilidade, terá mais apoio e investimento tanto da iniciativa privada quanto pública, aumentando ainda mais o número de praticantes. Mas o skate, ainda sim, continuará sendo tratado ora como uma prática transgressora (principalmente quando relacionada ao uso de equipamentos urbanos), ora como um “esporte espetáculo” (através de eventos como MegaRampa, X Games, entre outros). Creio também que, no futuro, a tendência em ser overall será ainda maior. No filme “De volta para o futuro 2” havia a previsão de um skate voador. Será? 11. Você gostaria de ver o skate nas olimpíadas? Depende de qual “skate”. Na verdade, gostaria de ver modalidades como slalom e speed, pois o critério de julgamento das mesmas é objetivo, baseado no tempo. Ou seja, não há dúvidas quanto ao vencedor. Considero o critério de julgamento de outras modalidades um pouco parcial. Além disso, não imagino nenhum skatista vestindo um uniforme, preparando-se como um atleta, visando somente à competição. |
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12. Muitas vezes uma ideia puxa outra. Você teria sugestões de outras pesquisas sobre o skate que poderiam ser realizadas? Há um imenso campo de possibilidades em pesquisas que podem ser feitas a partir do skate, em várias áreas do conhecimento. É necessário, primeiramente, fazer um recorte bem definido daquilo que se pretende estudar. Atualmente há excelentes pesquisadores que tomam o skate como objeto de estudo. Destaco os historiadores Tony Honorato (UEL) e principalmente Leonardo Brandão (PUC/SP), cujo trabalho considero referência no meio acadêmico. Já no exterior, vale ressaltar os trabalhos de Ian Borden, na área da arquitetura. Enfim, gostaria de ver mais pesquisas enfocando não só o lado esportivo do skate, mas também, no plano das relações que são estabelecidas. 13. Para quem está iniciando um trabalho de conclusão de curso ou um mestrado, qual é a sua dica para que o trabalho saia bem feito? Freqüentemente recebo alguns emails de estudantes dizendo que querem estudar o skate. Mas, o que eles não deixam claro é qual “skate” eles querem estudar. Além disso, é importante ampliar o leque de pesquisa, focando não só os textos sobre skate ou então a mídia especializada, mas também, ouvindo o que os skatistas têm a dizer. A importância de um intenso trabalho de campo reside aí. O discurso da mídia, seja ela especializada ou não, é apenas um em vários.
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14. Como a universidade, professores e colegas, receberam as suas pesquisas sobre o skate? Na graduação, alguns colegas estranharam esta minha escolha, em estudar o skate a partir de um viés antropológico. Mas foi só no início. Com o tempo, viram que aspectos familiares também são passíveis de estudo. Já no mestrado tenho total apoio, tanto do meu orientador quanto dos meus amigos. Tal como venho dialogando com o Leonardo Brandão, a partir do momento em que você se propõe a estudar o skate, é necessário estar disposto a mostrar a pertinência e complexidade do tema. 15. Para encerrar, mande o seu recado final para os leitores do Ciência do Skate E-Zine. O recado que gostaria de deixar aos leitores é para que eles levem o skate a sério, não só em sua dimensão esportiva, social e artística, mas também, acadêmica. Torço para que mais e mais pesquisadores se interessem pelo tema e que novas publicações de qualidade possam aparecer. Gostaria de agradecer ao Révisson e à Ciência do Skate pelo convite e também, ressaltar este importante trabalho feito por meio deste site. Por fim, agradeço ao meu orientador Prof. Dr. Heitor Frúgoli Jr., a todos os amigos do programa de pós-graduação, a FAPESP pela bolsa de estudos, aos skatistas que sempre contribuem para a minha pesquisa, e a todos os leitores deste e-zine.
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